Sunday, August 1, 2010

Elegia à Europa, Forever Godard




Leneide Duarte-Plon
Publicado originalmente na revista Trópico em 15/6/2010

“Filme Socialismo”, o novo longa do diretor, discute a decadência do continente e indaga sobre o futuro da política e do cinema

Um filme chamado “Film Socialisme”? Jean-Luc Godard, de 79 anos, não somente ousou no título, como realiza o seu longa-metragem mais nostálgico, uma verdadeira elegia à Europa. Segundo ele mesmo, é o seu último filme.

A derradeira frase da biografia de Godard por Antoine de Baecque, lançada há dois meses em Paris, faz sentido, depois de vermos “Film Socialisme” (“Filme Socialismo”). Diz o historiador: “Aos 30 anos, como aos 80, Jean-Luc Godard foi e continua sendo um homem do presente. Ele é nosso contemporâneo: seu cinema permanece até hoje”.

“Film Socialisme”, como quase tudo de Godard, é cinema para iniciados. Segundo o próprio diretor, apenas dez mil pessoas na França estão interessadas em ver e discutir seus filmes. Os distribuidores franceses não se arriscam a programar um filme dele em muitas salas.

Em Paris, somente quatro cinemas fizeram a estréia, após o longa ter sido lançado no Festival de Cannes. Quem quer ver filmes para pensar, decifrar as citações, identificar as fontes de inspiração e, enfim, se sentir totalmente idiota por não entender o significado do asno ou da lhama que aparecem nas imagens? Poucos, muito poucos.

“Film Socialisme” se passa em parte num grande navio que faz um cruzeiro pelo Mediterrâneo, o “mare nostrum” dos antigos romanos. Filmado pelo cineasta, o oceano nunca foi tão belo.

O cruzeiro é um ambiente de classe média, com aposentados em toda parte, seja no restaurante ou na boate, seja numa missa. Mas há personagens a quem o cineasta empresta sua voz. Uma jovem russa diz: “Eu não quero morrer sem ter revisto a Europa feliz”.

Godard procura “recolocar a realidade na realidade” (como diz outro dos personagens), filmando simplesmente turistas em trânsito ou uma criança que acaricia os cabelos da mãe e elaborando quadros vivos muitas vezes magníficos.

O filme faz sentido para quem busca sentido. A forma é godardiana: uma sinfonia em três movimentos, uma sucessão de imagens que começam no navio, colagens de frases, de citações cinematográficas, literárias, musicais. Uma desconstrução radical e genial da narrativa.

Godard continua a inventar um cinema total, que integra literatura, pintura e música. “O filme é cinema ou uma instalação de arte moderna?”, perguntou uma espectadora, à saída da sessão. Para dar conta da dimensão artística de Godard, o biógrafo De Baecque precisou compará-lo a Picasso e a Lévi-Strauss.

O filósofo Alain Badiou faz uma aparição rápida no filme. Filmado num enorme auditório totalmente vazio, ele lê um texto sobre a geometria grega. Depois, aparece numa cabine do navio, escrevendo. O historiador palestino Elias Sanbar e a cantora Patti Smith também são personagens do filme, em rápidas aparições. Godard fala de geometria, de poesia e da Palestina, mas sobretudo da Europa. Há diálogos em russo, em alemão, em inglês e em francês.

“Pus no filme cinco ou seis lugares que participaram de minha formação: a África, a Palestina, a Revolução Russa, Odessa, a Grécia, a Itália e a Espanha. E juntei histórias em alemão, porque a Alemanha foi importante na minha vida”, explicou Godard numa longa entrevista a Daniel Cohn-Bendit, na revista “Télérama”.

O cineasta toma emprestado um plano de Agnès Varda no qual dois acrobatas se revezam no trapézio: ouve-se a voz de uma moça que canta o Talmud e a de outra, que canta o Alcorão. A Palestina é uma das obsessões do cineasta que voltam neste filme. No navio, de noite, uma moça diz a um rapaz, com quem ela passeia: “Por que a luz?”. Ele responde: “Por causa das trevas”.

O diretor Jérôme Plon, grande conhecedor da obra de Godard, vê no filme “uma densidade comparável apenas à sua aspereza”. “É preciso ver o filme três vezes: uma pela imagem, uma pelo som e outra para compreender. A primeira parte, absolutamente genial, é como uma arca de Noé, uma sonda Júpiter para as futuras gerações”, resume Plon.

O filme pode ser visto como uma elegia, um poema a uma Europa ameaçada de desaparecer. Na vida real, a Grécia, o berço da civilização europeia, está à beira do abismo. O socialismo dito “real” desmoronou. Toda a Europa está desmoronando. Também na vida real, Godard desfaz seu escritório-estudio de Rolle, na Suíça, onde se refugiou há 40 anos. Acaba de vender todos os seus equipamentos e móveis e a um egípcio.

“O filme iria se chamar ‘Socialisme’, mas esse título me pareceu ter uma conotação muito forte. ‘Film Socialisme’ é diferente: um filósofo me escreveu uma carta de 12 páginas, dizendo que é maravilhoso juntar ‘filme’ e ‘socialismo’ porque isso significa outra coisa: quer dizer ‘esperança’”, comentou Godard.

Para ele, o cinema é coisa do passado. Ele fala da “sétima arte” no pretérito. Na entrevista a Cohn-Bendit, resumiu: “Você é para a política o que eu fui para aquilo que chamávamos de cinema”.

O cinema e o mesmo socialismo conseguirão ser reinventados por uma nova geração de cineastas e de políticos? Eis a questão crucial do novo filme de Godard.

Leneide Duarte-Plon é jornalista e vive em Par
http://bilhetesdeparis.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

Elegia à Europa Forever Godard




Leneide Duarte-Plon
Publicado originalmente na revista Trópico em 15/6/2010

“Filme Socialismo”, o novo longa do diretor, discute a decadência do continente e indaga sobre o futuro da política e do cinema

Um filme chamado “Film Socialisme”? Jean-Luc Godard, de 79 anos, não somente ousou no título, como realiza o seu longa-metragem mais nostálgico, uma verdadeira elegia à Europa. Segundo ele mesmo, é o seu último filme.

A derradeira frase da biografia de Godard por Antoine de Baecque, lançada há dois meses em Paris, faz sentido, depois de vermos “Film Socialisme” (“Filme Socialismo”). Diz o historiador: “Aos 30 anos, como aos 80, Jean-Luc Godard foi e continua sendo um homem do presente. Ele é nosso contemporâneo: seu cinema permanece até hoje”.

“Film Socialisme”, como quase tudo de Godard, é cinema para iniciados. Segundo o próprio diretor, apenas dez mil pessoas na França estão interessadas em ver e discutir seus filmes. Os distribuidores franceses não se arriscam a programar um filme dele em muitas salas.

Em Paris, somente quatro cinemas fizeram a estréia, após o longa ter sido lançado no Festival de Cannes. Quem quer ver filmes para pensar, decifrar as citações, identificar as fontes de inspiração e, enfim, se sentir totalmente idiota por não entender o significado do asno ou da lhama que aparecem nas imagens? Poucos, muito poucos.

“Film Socialisme” se passa em parte num grande navio que faz um cruzeiro pelo Mediterrâneo, o “mare nostrum” dos antigos romanos. Filmado pelo cineasta, o oceano nunca foi tão belo.

O cruzeiro é um ambiente de classe média, com aposentados em toda parte, seja no restaurante ou na boate, seja numa missa. Mas há personagens a quem o cineasta empresta sua voz. Uma jovem russa diz: “Eu não quero morrer sem ter revisto a Europa feliz”.

Godard procura “recolocar a realidade na realidade” (como diz outro dos personagens), filmando simplesmente turistas em trânsito ou uma criança que acaricia os cabelos da mãe e elaborando quadros vivos muitas vezes magníficos.

O filme faz sentido para quem busca sentido. A forma é godardiana: uma sinfonia em três movimentos, uma sucessão de imagens que começam no navio, colagens de frases, de citações cinematográficas, literárias, musicais. Uma desconstrução radical e genial da narrativa.

Godard continua a inventar um cinema total, que integra literatura, pintura e música. “O filme é cinema ou uma instalação de arte moderna?”, perguntou uma espectadora, à saída da sessão. Para dar conta da dimensão artística de Godard, o biógrafo De Baecque precisou compará-lo a Picasso e a Lévi-Strauss.

O filósofo Alain Badiou faz uma aparição rápida no filme. Filmado num enorme auditório totalmente vazio, ele lê um texto sobre a geometria grega. Depois, aparece numa cabine do navio, escrevendo. O historiador palestino Elias Sanbar e a cantora Patti Smith também são personagens do filme, em rápidas aparições. Godard fala de geometria, de poesia e da Palestina, mas sobretudo da Europa. Há diálogos em russo, em alemão, em inglês e em francês.

“Pus no filme cinco ou seis lugares que participaram de minha formação: a África, a Palestina, a Revolução Russa, Odessa, a Grécia, a Itália e a Espanha. E juntei histórias em alemão, porque a Alemanha foi importante na minha vida”, explicou Godard numa longa entrevista a Daniel Cohn-Bendit, na revista “Télérama”.

O cineasta toma emprestado um plano de Agnès Varda no qual dois acrobatas se revezam no trapézio: ouve-se a voz de uma moça que canta o Talmud e a de outra, que canta o Alcorão. A Palestina é uma das obsessões do cineasta que voltam neste filme. No navio, de noite, uma moça diz a um rapaz, com quem ela passeia: “Por que a luz?”. Ele responde: “Por causa das trevas”.

O diretor Jérôme Plon, grande conhecedor da obra de Godard, vê no filme “uma densidade comparável apenas à sua aspereza”. “É preciso ver o filme três vezes: uma pela imagem, uma pelo som e outra para compreender. A primeira parte, absolutamente genial, é como uma arca de Noé, uma sonda Júpiter para as futuras gerações”, resume Plon.

O filme pode ser visto como uma elegia, um poema a uma Europa ameaçada de desaparecer. Na vida real, a Grécia, o berço da civilização europeia, está à beira do abismo. O socialismo dito “real” desmoronou. Toda a Europa está desmoronando. Também na vida real, Godard desfaz seu escritório-estudio de Rolle, na Suíça, onde se refugiou há 40 anos. Acaba de vender todos os seus equipamentos e móveis e a um egípcio.

“O filme iria se chamar ‘Socialisme’, mas esse título me pareceu ter uma conotação muito forte. ‘Film Socialisme’ é diferente: um filósofo me escreveu uma carta de 12 páginas, dizendo que é maravilhoso juntar ‘filme’ e ‘socialismo’ porque isso significa outra coisa: quer dizer ‘esperança’”, comentou Godard.

Para ele, o cinema é coisa do passado. Ele fala da “sétima arte” no pretérito. Na entrevista a Cohn-Bendit, resumiu: “Você é para a política o que eu fui para aquilo que chamávamos de cinema”.

O cinema e o mesmo socialismo conseguirão ser reinventados por uma nova geração de cineastas e de políticos? Eis a questão crucial do novo filme de Godard.

Leneide Duarte-Plon é jornalista e vive em Par
http://bilhetesdeparis.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

Tuesday, January 5, 2010

‘Los medios de comunicación corporativos ahora están en la industria del entretenimiento’

Albertin‘Los medios de comunicación corporativos ahora están en la industria del entretenimiento’a Navas (MEDIACIONES – CIESPAL)

Peter Phillips es uno de los líderes del Proyecto Censurado de la Universidad de Sonoma (EE.UU.), que cada año elabora una lista de las 25 noticias más censuradas por los medios de comunicación corporativos estadounidenses. El ranking 2010 incluye dos historias del Ecuador. Este experto en investigación de medios compartió sus reflexiones en Quito.

De todo hay en la viña de los medios de comunicación: noticias de primera plana, otras intrascendentes, aquellas que cambian la historia y muchas que mueren tan pronto se publican. Pero quizás las más delicadas son aquellas noticias que nunca llegan a ser noticia. En éstas se enfoca el Proyecto Censurado, que lidera Peter Phillips.

Este es un programa de investigación de medios que realiza la Universidad Sonoma State (EEUU), en cooperación con 9 universidades. Cerca de 250 estudiantes de distintas carreras se encargan de buscar noticias en 800 fuentes de información independiente con el fin de ver cuáles de ellas no han tenido eco en los grandes medios estadounidenses. Luego, éstas son revisadas por expertos para constatar su pertinencia y precisión.

Se evalúan entre 700 y 1.000 noticias anualmente y un Comité del Proyecto Censurado elige aquellas 25 historias más relevantes, sin un orden en específico, y en función de su cobertura, contenido, fiabilidad de fuentes e impacto para una comunidad.

El ranking de las 25 noticias más censuradas 2010 escogió dos informaciones de Ecuador: La declaración de ilegitimidad de la deuda externa y los derechos de la naturaleza consagrados en la Constitución.

Peter Phillips estuvo en Quito en octubre de este año, en el marco del Seminario Internacional ‘Ética, periodismo y democracia’, organizado por CIESPAL y el Ministerio de Coordinación de la Política. Aquí sus reflexiones.

Sr. Phillips, usted dice que los medios corporativos no censuran, sino que son los dueños quienes filtran las noticias, ¿cómo funciona este mecanismo?
Es un proceso de consentimiento de fabricación, que es propaganda, según lo explicaron Noam Chomsky y Edward Herman hace 21 años. Es la teoría de cómo los medios de comunicación priorizan su rentabilidad y las fuentes oficiales a favor del capitalismo estadounidense. Estos son los filtros de qué historias están bien y cuáles no.

La palabra censura viene del latín y hace referencia a los tiempos en que el Gobierno censuraba y controlaba las noticias. Lo curioso es que la autoridad ni siquiera tenía que hacerlo, pues los periódicos lo hacían ellos mismos.

Esta censura no es tan manifiesta, pero en los últimos 20 años, los medios de comunicación se han consolidado como tentadoras empresas y cada vez apoyan más a la agenda de expansión global del capitalismo estadounidense e interactúan con grandes multinacionales. En EEUU, 1 de cada 5 miembros de los directorios de medios corporativos es parte de esas multinacionales, que son de las 1.000 más grandes del país.

Es un complejo militar e industrial el de los medios de comunicación, que tiene una agenda subyacente de defensa de la libertad, pero no la de los estadounidenses, sino de la libertad de hacer negocios, del poder de las empresas estadounidenses en todo el mundo y del imperio estadounidense, establecido a partir de la Segunda Guerra Mundial.
Pero no es usual ver a los dueños de los medios de comunicación en las redacciones diciendo: “Escribe esto” o “no escribas eso”. La presión es más sofisticada. Entonces, ¿cómo imponen sus intereses?
Contratando gerentes o editores que tengan su misma ideología para que seleccionen las noticias con los parámetros que a ellos les interesan.

Por ejemplo, hubo el caso de un periodista de The New York Times, que cubrió la Guerra del Golfo; ellos nunca le dijeron que escriba esto o lo otro, sino que le decían que querían ver las noticias desde un punto de vista patriótico y relevar el poderío estadounidense, “buena prensa”.

Usted es muy crítico con los medios de comunicación como corporaciones. ¿Acaso considera inmoral que los medios quieran ganar dinero?
La rentabilidad puede interferir en alguna medida. Por ejemplo, hay medios sin fines de lucro, como The Guardian, que gana dinero, pero no emite acciones. Los medios corporativos en EEUU tienen hasta un 30% de rentabilidad, pero despiden a los periodistas, recortan al personal y tienen acuerdos de marketing en distintas ciudades.

El modelo de negocios de ganar dinero a partir de la publicidad se está derrumbando. Ésta ha caído casi un 50% en EEUU y los periódicos cierran. La gente joven ya no lee periódicos.

Otro modelo puede ser sin fines de lucro, el de los subsidios de fundaciones o una parte de los impuestos, sin compromiso. Es una buena forma de apoyar la democracia.

Si un periodista recibe la orden de publicar o de no publicar una determinada noticia, ¿qué le sugiera usted que debiera hacer?
Si hubiera objeción de conciencia, sería maravilloso para que pueda evitar esta interferencia al flujo de la información. Una opción sería publicar la historia en otro medio o tratar de darla a conocer de alguna otra manera.

Depende si está en capacidad de perder su trabajo o no. A veces, hay que tomar decisiones difíciles para que la historia salga a la luz.

¿Se puede juzgar a aquellos periodistas que han seguido instrucciones por preservar un trabajo, que es el sustento de su familia?
Son decisiones difíciles. Siempre hay que pensar en las circunstancias de las personas y pensar también en que cuando las empresas hacen recortes de presupuesto pueden ser irracionales y dejan sin trabajo a una persona que tiene seis hijos, porque eso es mejor para la organización. No creo que haya que juzgar a los periodistas con tanta dureza, solo sugiero a los periodistas que hagan lo que creen que deben hacer.

Se ha cuestionado la posibilidad real de que los periodistas sean independientes, pues todas las personas tienen una historia de vida, unos intereses, una ideología… ¿Cree usted que la independencia del periodista es posible?
No, todos estamos sesgados. Qué investigar, a quién preguntar, qué preguntar… todo implica ideas preconcebidas sobre lo que el periodista quiere escribir. Y está bien. Lo malo es esa idea de objetividad que se quiere introducir en las escuelas de Periodismo, desde hace 100 años. Lo que digo es: presentar los hechos, hacer alguna interpretación y contar algunas historias. Lo que no creo es que haga falta entrevistar a un comunista para dar balance a una nota sobre capitalismo. Hay que apoyar a la democracia.

Si ningún periodista es independiente, ¿a qué se refiere cuando habla de medios independientes?
Los medios independientes son los no corporativos. Aquellos que no informan solo por dinero, sino por el amor de contar una historia y de contar la verdad. Todos necesitamos un trabajo y tener un ingreso para pagar las deudas.

Hay gente que tiene un trabajo en el día y escribe para otros medios en sus tiempos libres. Cada vez habrá más de esto. El problema es que los medios corporativos tienen una visión muy estrecha. El primero es hacer dinero, las fuentes oficiales, el espacio para sus principales anunciantes y su ideología.
Por eso, es clave preguntarse quiénes están en el Directorio de los medios.

Usted también es muy crítico de los departamentos de Relaciones Públicas y de la presión que estos ejercen sobre las salas de Redacción. ¿Cómo su presencia ha alterado las dinámicas de las redacciones?
Los departamentos de RR.PP. reducen las redacciones porque antes los periodistas se planteaban a dónde ir para conseguir la noticia, pero ahora llaman a la unidad de Relaciones Públicas del Departamento de Estado.

Cada vez se gasta más dinero en esto. Antes del 11-S, Clinton gastaba US$ 60 millones, ahora se destinan a este rubro US$ 1.500 millones. No hay que olvidar que los departamentos de Relaciones Públicas no se preocupan de mentir o no, sino de mantener su participación de mercado. Sólo buscan historias que levanten emociones.

Uno de sus estudios hace referencia al trabajo de agencias internacionales de prensa, en especial de AP, a quienes usted atribuye una condición Disneylandia. ¿Qué significa esto exactamente?
Es un estado en el que no sabes qué es verdad y qué no. Es una hiperrealidad. Disneylandia es solo un ejemplo para ilustrar la situación en la que sabes que estás ahí, pero lo que ves no es real. Al ver a los medios de comunicación corporativos pasa lo mismo: no se sabe qué es real y qué no.

¿Los periodistas están al tanto de esto?
No. Los medios de comunicación se han convertido en una industria de entretenimiento. Ellos tratan de presentar historias emotivas e intencionalmente lo hacen. Solo buscan una conexión emocional, que genere adicción. Ver las noticias es una adicción. Es un delirio de inconciencia, de excitación, de no saber nada…

Los periodistas se desenvuelven muchas veces en condiciones laborales muy adversas. ¿Cree usted que esta sea una decisión deliberada, en ciertos casos, con el fin de reproducir y mantener esta lógica de poder?
Claro y el capitalismo lo hace automáticamente. Los directivos de los medios tratan a los periodistas diciendo: ‘Si tú no lo haces, hay muchos más que lo pueden hacer por ti’. Esto hace competir a los periodistas.

¿Existe la posibilidad del trabajo periodístico independiente y de ganar dinero a la vez?
Es una gran pregunta. Mucha gente escribe excelentes historias en sus blogs o en otros medios independientes y no ganan dinero por eso. Un medio independiente no está pensado per se para hacer dinero. Por eso, el Gobierno debe reconocer la importancia de la información para la democracia y apoyar estas iniciativas.

*) Albertina Navas, Albertina Navas, periodista, CIESPAL.

Saturday, December 12, 2009

Galeano Ataca mais uma Vez

Cuatro frases que hacen crecer la nariz de Pinocho

Eduardo Galeano

1 Somos todos culpables de la ruina del planeta

.La salud del mundo está hecha un asco. 'Somos todos responsables', claman las voces de la alarma universal, y la generalización absuelve: si somos todos responsables, nadie lo es. Como conejos se reproducen los nuevos tecnócratas del medio ambiente. Es la tasa de natalidad más alta del mundo: los expertos generan expertos y más expertos que se ocupan de envolver el tema en el papel celofán de la ambigüedad. Ellos fabrican el brumoso lenguaje de las exhortaciones al 'sacrificio de todos' en las declaraciones de los gobiernos y en los solemnes acuerdos internacionales que nadie cumple. Estas cataratas de palabras -inundación que amenaza convertirse en una catástrofe ecológica comparable al agujero del ozono- no se desencadenan gratuitamente. El lenguaje oficial ahoga la realidad para otorgar impunidad a la sociedad de consumo, a quienes la imponen por modelo en nombre del desarrollo y a las grandes empresas que le sacan el jugo. Pero las estadísticas confiesan. Los datos ocultos bajo el palabrerío revelan que el 20 por ciento de la humanidad comete el 80 por ciento de las agresiones contra la naturaleza, crimen que los asesinos llaman suicidio y es la humanidad entera quien paga las consecuencias de la degradación de la tierra, la intoxicación del aire, el envenenamiento del agua, el enloquecimiento del clima y la dilapidación de los recursos naturales no renovables. La señora Harlem Bruntland, quien encabeza el gobierno de Noruega, comprobó recientemente que si los 7 mil millones de pobladores del planeta consumieran lo mismo que los países desarrollados de Occidente, "harían falta 10 planetas como el nuestro para satisfacer todas sus necesidades". Una experiencia imposible. Pero los gobernantes de los países del Sur que prometen el ingreso al Primer Mundo, mágico pasaporte que nos hará a todos ricos y felices, no sólo deberían ser procesados por estafa. No sólo nos están tomando el pelo, no: además, esos gobernantes están cometiendo el delito de apología del crimen. Porque este sistema de vida que se ofrece como paraíso, fundado en la explotación del prójimo y en la aniquilación de la
naturaleza, es el que nos está enfermando el cuerpo, nos está envenenando el alma y nos está dejando sin mundo.

2 Es verde lo que se pinta de verde

Ahora, los gigantes de la industria química hacen su publicidad en color verde, y el Banco Mundial lava su imagen repitiendo la palabra ecología en cada página de sus informes y tiñendo de verde sus préstamos. "En las condiciones de nuestros préstamos hay normas ambientales estrictas", aclara el presidente de la suprema banquería del mundo. Somos todos ecologistas, hasta que alguna medida concreta limita la libertad de contaminación. Cuando se aprobó en el Parlamento del Uruguay una tímida ley de defensa del medio ambiente, las empresas que echan veneno al aire y pudren las aguas se sacaron súbitamente la recién comprada careta verde y gritaron su verdad en términos que podrían ser resumidos así: "los defensores de la naturaleza son abogados de la pobreza, dedicados a sabotear el desarrollo económico y a espantar la inversión extranjera". El Banco Mundial, en cambio, es el principal promotor de la riqueza, el desarrollo y la inversión extranjera. Quizás por reunir tantas virtudes, el Banco manejará, junto a la ONU, el recién creado Fondo para el Medio Ambiente Mundial. Este impuesto a la mala conciencia dispondrá de poco dinero, 100 veces menos de lo que habían pedido los ecologistas, para financiar proyectos que no destruyan la naturaleza. Intención irreprochable, conclusión inevitable: si esos proyectos requieren un fondo especial, el Banco Mundial está admitiendo, de hecho, que todos sus demás proyectos hacen un flaco favor al medio ambiente. El Banco se llama Mundial, como el Fondo Monetario se llama Internacional, pero estos hermanos gemelos viven, cobran y deciden en Washington. Quien paga, manda, y la numerosa tecnocracia jamás escupe el plato donde come. Siendo, como es, el principal acreedor del llamado Tercer Mundo, el Banco Mundial gobierna a nuestros países cautivos que por servicio de deuda pagan a sus acreedores externos 250 mil dólares por minuto, y les impone su política económica en función del dinero que concede o promete. La divinización del mercado, que compra cada vez menos y paga cada vez peor, permite atiborrar de mágicas chucherías a las grandes ciudades del sur del mundo, drogadas por la religión del consumo, mientras los campos se agotan, se pudren las aguas que los alimentan y una costra seca cubre los desiertos que antes fueron bosques.

3 Entre el capital y el trabajo, la ecología es neutral

Se podrá decir cualquier cosa de Al Capone, pero él era un caballero: el bueno de Al siempre enviaba flores a los velorios de sus víctimas... Las empresas gigantes de la industria química, petrolera y automovilística pagaron buena parte de los gastos de la Eco 92. La conferencia internacional que en Río de Janeiro se ocupó de la agonía del planeta. Y esa conferencia, llamada Cumbre de la Tierra, no condenó a las transnacionales que producen contaminación y viven de ella, y ni siquiera pronunció una palabra contra la ilimitada libertad de comercio que hace posible la venta de veneno. En el gran baile de máscaras del fin de milenio, hasta la industria química se viste de verde. La angustia ecológica perturba el sueño de los mayores laboratorios del mundo, que para ayudar a la naturaleza están inventando nuevos cultivos biotecnológicos. Pero estos desvelos científicos no se proponen encontrar plantas más resistentes a las plagas sin ayuda química, sino que buscan nuevas plantas capaces de resistir los plaguicidas y herbicidas que esos mismos laboratorios producen. De las 10 empresas productoras de semillas más grandes del mundo, seis fabrican pesticidas (Sandoz, Ciba-Geigy, Dekalb, Pfiezer, Upjohn, Shell, ICI). La industria química no tiene tendencias masoquistas. La recuperación del planeta o lo que nos quede de él implica la denuncia de la impunidad del dinero y la libertad humana. La ecología neutral, que más bien se parece a la jardinería, se hace cómplice de la injusticia de un mundo donde la comida sana, el agua limpia, el aire puro y el silencio no son derechos de todos sino privilegios de los pocos que pueden pagarlos. Chico Mendes, obrero del caucho, cayó asesinado a fines del 1988, en la Amazonía brasileña, por creer lo que creía: que la militancia ecológica no puede divorciarse de la lucha social. Chico creía que la floresta amazónica no será salvada mientras no se haga la reforma agraria en Brasil. Cinco años después del crimen, los obispos brasileños denunciaron que más de 100 trabajadores rurales mueren asesinados cada año en la lucha por la tierra, y calcularon que cuatro millones de campesinos sin trabajo van a las ciudades desde las plantaciones del interior. Adaptando las cifras de cada país, la declaración de los obispos retrata a toda América Latina. Las grandes ciudades latinoamericanas, hinchadas a reventar por la incesante invasión de exiliados del campo, son una catástrofe ecológica: una catástrofe que no se puede entender ni cambiar dentro de los límites de la ecología, sorda ante el clamor social y ciega ante el compromiso político.

4 La naturaleza está fuera de nosotros

En sus 10 mandamientos, Dios olvidó mencionar a la naturaleza. Entre las órdenes que nos envió desde el monte Sinaí, el Señor hubiera podido agregar, pongamos por caso: "Honrarás a la naturaleza de la que formas parte". Pero no se le ocurrió. Hace cinco siglos, cuando América fue apresada por el mercado mundial, la civilización invasora confundió a la ecología con la idolatría. La comunión con la naturaleza era pecado. Y merecía castigo. Según las crónicas de la Conquista., los indios nómadas que usaban cortezas para vestirse jamás desollaban el tronco entero, para no aniquilar el árbol, y los indios sedentarios plantaban cultivos diversos y con períodos de descanso, para no cansar a la tierra. La civilización que venía a imponer los devastadores monocultivos de exportación no podía entender a las culturas integradas a la naturaleza, y las confundió con la vocación demoníaca o la ignorancia. Para la civilización que dice ser occidental y cristiana, la naturaleza era una bestia feroz que había que domar y castigar para que funcionara como una máquina, puesta a nuestro servicio desde siempre y para siempre. La naturaleza, que era eterna, nos debía esclavitud. Muy recientemente nos hemos enterado de que la naturaleza se cansa, como nosotros, sus hijos, y hemos sabido que, como nosotros, puede morir asesinada. Ya no se habla de someter a la naturaleza, ahora hasta sus verdugos dicen que hay que protegerla. Pero en uno u otro caso, naturaleza sometida y naturaleza protegida, ella está fuera de nosotros. La civilización que confunde a los relojes con el tiempo, al crecimiento con el desarrollo y a lo grandote con la grandeza, también confunde a la naturaleza con el paisaje, mientras el mundo, laberinto sin centro, se dedica a romper su propio cielo.

Sunday, November 8, 2009

Arnaldo Carrilho escreve sobre a RIOFILME

Walter Benjamin escreveu que o cinema é uma forma de arte que enfrenta o perigo, ameaçado por salteadores à beira da estrada, sua vida sempre por um fio. No caso presente, o inimigo não mais se esconde; é máscara que se descola sem que a toquemos. Aparece-nos logo a face cruel, crudelíssima, a da assimilação pelo Poder Público do que não é de maneira alguma público e comum: as práticas vorazes do neocapitalismo.

A Riofilme foi sendo aos poucos destruídas pela "classe", i.e., os que detinham força política para não aceitar qualquer forma de regulação. As folgas desta não eram defeitos da legislação, mas oportunidades que a maioria não quis compreender, pois a distribuidora podia adaptar-se caso-por-caso, a cada-caso. Para início de conversa, a "classe" ia ao gabinete do Secretário da(s) Cultura(s) para sabotar a magna tarefa da empresa municipal: a distribuição, ou seja, os atos de comércio atacadista do setor audiovisual.

Ato de burrice extrema, de vez que, assim sendo, se beneficiava uns poucos, poria por terra qualquer tentativa de programadas co-produções, finalizações, comercializaçãoes e lançamentos. Apesar de sua Lei, simples e direta, contemplando os espectros municipal, estadual, nacional e internacional, havia algo que incomodava as "lideranças", que preferiam acacianamente os "fomentos" às "distribuições". Em outras palavras: as DOAÇÕES de gaita do Erário Municipal, de mão-beijada, como se a Teta das rubricas orlaçamentárias fossem sugadas na base do ninguém-tasca.

A cobiça e a avidez eram tão visíveis, que achei melhor pedir minha demissão (junho de 2003) e partir para bem longe do Rio e do País, o que representou um tremendo alívio para as ratazanas do Cinema Brasileiro. Para mim, então, representou uma profunda catarse, porque, faz 48 anos, sou homem do CB que o trata com o carinho e a delicadeza que merece, como uma flor em broto. Ou seja, como arte, num País como o nosso obrigatoriamente indutora de conscientização, nunca de alienação. A tal corretora é o Dragão da Maldade destes tempos de mutação antropológica homologada: os filmes inspirados, de maior ou menor grandeza, serão os Santos Guerreiros que lancetarão o monstro.

É obra de paciência, de ver para crer!

Abraços compungidos e solidários à Classe do abaixo-firmado
Arnaldo C. -, com as condolências de todos pelo desaparecimento do Anselmo.

Monday, October 19, 2009

CONFESSO

QUE VI E OUVI



POR FERNANDO BELENS



Cineasta baiano, que participa da Mostra SP 2009 com seu primeiro
longa, Pau Brasil (no elenco, Bertrand Duarte)





O judeu tem o deserto, o povo de santo tem o
resguardo, o cristão tem o pecado, e a imagem na retina está
invertida.



Eu estava no Paraná, no Festival de Cinema, em que
aconteceu um momento que talvez não se repita jamais, o momento-tempo
mágico, entre a exibição do filme “Utopia e Barbárie” e a premiação de
Silvio Tendler como melhor diretor do Festival. Sim eu estava lá, me
perdoem os que não foram.

Havia uma ninfa que preparou o rito: Íttala

Havia Eros e um homem sábio: Cláudio

Havia um condutor de locomotivas: Severo

e uma mulher que não pára: Rosário.

E filmes, muitos filmes e uma tribo de amantes e amigos.

É preciso olhar para o Sul, para a terra das araucárias. Naquele
espaço onde São Paulo desiste e o Rio Grande inexiste, se constrói
algo profundamente delicado, como uma Faca N’água, como um Corisco no
céu diurno.



O FESTIVAL DE CINEMA DO PARANÁ PREMIA

COM O MAIOR VALOR (vírgula), O DIRETOR (ponto).



Eu sabia, acho que quase todos sabiam, que o premio era antes de mil
anos atrás, de Silvio. Não por acordos secretos, arranjos ou
falcatruas. Sabíamos, com o mesmo instinto que leva o cão a saber
nadar, muito antes de conhecer a água. Sabíamos como sabemos que
estamos apaixonados, mesmo que a outra ou outro ainda não saiba.
Sabíamos que poderia e deveria acontecer o ponto mais alto de uma
proposta tão especial, - A VALORIZAÇÃO DO AUTOR-. Aquele era o
Festival onde o Filho de Xangô deveria vencer; vencer por ter moldado
com ferro, fogo e desejo, um filme-painel que jamais será esquecido.
SILVIO VENCEU POR TODOS NÓS: SÍSIFOS-DIRETORES, que carregam até à
mais alta montanha nossas latas de imagens, para na manhã seguinte
vê-las de novo no sopé.

Silvio é nosso Pajé, corpo de ancião e o olhar de criança, ele sabe
que não se ganha sozinho esse jogo duro, de enfrentar o dragão e fazer
prevalecer a delicadeza



Era necessário que também lá estivesse um francês que até tentou falar
em portunhol, uma jovem que lia nas cartas e o sabor de todas as
cores.





SILVIO TENDLER LEVOU DEZENOVE ANOS

PARA REALIZAR “UTOPIA E BARBÁRIE”.



Quando eu ouvi que Silvio ia partir antes da sessão de premiação,
quase que entrei em pânico e perguntei: Mas quem vai receber o prêmio
que todos sabemos, o único que todos sabemos? Ele riu e voltou. Ele
também sabia, precisava completar sua estupenda bruxaria, disfarçada
de tecnologia. Precisava fechar o anel aberto no primeiro dia e que
iluminou todo o festival, pairando sobre Curitiba com a força de um
ancestral. (perdoe-me a rima pobre, mas às vezes a métrica não pode).



Nunca saberemos a totalidade dos signos que formam o corpo de “Utopia
e Barbárie”, o filme é um grande camaleão que a cada aproximação muda
de cor e revela o que não havíamos visto antes e antes, ele é como um
grande painel, tão grande que de longe só podemos ver o conjunto e
perto somente os detalhes; é um filme para várias visitas. Declaro
minha incompetência para naquela sessão, apreender muita coisa além do
êxtase: Estava com a mente iluminada e o coração em frangalhos, com
algo muito maior, que era Íttala, Silvio, o Prêmio, todas as
premonições e um leve bater de asas de borboleta.



Eu vi e vivi aquele momento perfeito, que talvez não volte jamais.

Por isso, falamos e pensamos tanto: “Glauber, Navarro, Pasolini,
Furtado, Santiago, Zapata, Felini, Mia, Amado, Guido, Chiquinho,
Meteorango, Montenegro, Leon, João, Luciano, Misael, Dina, Minotauro,
Lacerda, Brando, Pedro, Ruy e outros tantos, tantos...”



É PRECISO DESAPARELHAR

O OLHAR E VER

O QUE ACONTECE LÁ

NAS TERRAS DO RIO

PARANÁ.



belens

pobre poesia e pura emoção

(Ação!)

bahia, 12.10.09

Sunday, December 3, 2006

Uttopya nascendo

A uttopya nasce a cada momento em forma de diálogo, troca, desejo, como projeto de filme e de vida. Bem vindo a esta viagem
Interfira com idéia e comentários